Embaixada dos EUA critica prisão de Bolsonaro e aponta “violação de direitos humanos” por Moraes
Na mensagem, a embaixada sustentou que o ministro expôs o STF “à vergonha e ao descrédito internacional” ao desconsiderar regras tradicionais de autocontenção judicial e, segundo eles, ao politizar o processo contra o ex-presidente.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de decretar a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro neste sábado, 22, gerou forte reação da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Em publicação na rede X, o órgão diplomático condenou a medida e reafirmou que vê Moraes como “um violador de direitos humanos sancionado”, acusação que intensificou a crise política já em curso.
Na mensagem, a embaixada sustentou que o ministro expôs o STF “à vergonha e ao descrédito internacional” ao desconsiderar regras tradicionais de autocontenção judicial e, segundo eles, ao politizar o processo contra o ex-presidente. “Os Estados Unidos estão profundamente preocupados diante de seu mais recente ataque ao Estado de Direito e à estabilidade política no Brasil”, afirmou o comunicado.
Duras críticas à transferência de Bol
sonaro para cela da PF
A representação diplomática classificou como “provocativa e desnecessária” a transferência de Bolsonaro para uma cela da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O órgão lembrou que o ex-presidente já se encontrava em prisão domiciliar desde 4 de agosto — medida imposta pelo próprio Moraes — e afirmou que a mudança de regime carecia de justificativa plausível.
Em outro trecho, a embaixada alertou para os riscos institucionais: “não há nada mais perigoso para a democracia do que um juiz que não reconhece limites para seu poder”. A publicação praticamente replicou, em português, críticas já feitas horas antes pelo subsecretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, dando peso diplomático à posição oficial do governo norte-americano.

Críticas internacionais se ampliam
A reação da Embaixada dos EUA se soma a uma série de manifestações externas contrárias à prisão de Bolsonaro. O presidente norte-americano Donald Trump chamou o caso de “uma pena”, ampliando o tom de desaprovação.
O advogado Martin De Luca, que representa a Trump Media e a plataforma Rumble em processo na Flórida contra Moraes, declarou que a prisão é um “insulto” às autoridades americanas e acusou o ministro de ter “escalado” o que descreveu como “caça às bruxas”. O conselheiro de Trump, Jason Miller, fez críticas semelhantes, repetindo a expressão usada por De Luca.
Prisão preventiva após pedido da PF
Bolsonaro foi detido por volta das 6h20 deste sábado por agentes da Polícia Federal. Após exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal do Distrito Federal, foi encaminhado para uma cela na superintendência da PF na capital e deve passar por audiência de custódia neste domingo, 23.
O pedido encaminhado pela PF ao ministro Moraes relatou, entre outros pontos, a violação da tornozeleira eletrônica, equipamento que Bolsonaro utiliza desde que foi submetido à prisão domiciliar em agosto. Mais tarde, o ex-presidente reconheceu ter usado “ferro quente” para danificar o dispositivo, alegando à agente responsável que o fez por “curiosidade”. Aliados próximos classificaram o episódio como um “surto”.
A prisão preventiva não está diretamente relacionada à condenação superior a 27 anos imposta pela 1ª Turma do STF, processo em que a defesa do ex-presidente segue buscando reverter a decisão.
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